Está bem
que eu sempre amei Baurú, mas uma mudança no meio do último ano letivo não é
uma idéia muito racional. Meu nome é Nathalie Smith, nasci em Niterói e sou
filha de uma brasileira com um inglês e… sou nerd.
Vivi
a minha vida inteira mudando de cidade, mas sempre dentro do mesmo estado,
nunca fora dele. Não vou dizer que o meu sonho nunca foi sair desse maldito
estado, mas nunca em pleno mês de Maio. Graças a Deus existe 3G, para eu poder
digitar isso do carro e enviar assim que eu terminar.
Estamos
no meio da estrada. Ser filha única ás vezes é muito bom, já que não tem nenhum
irmão enchendo o meu saco com beliscões. Ah.. sou baixinha, muito baixinha. E
quando eu digo muito eu quero dizer muito mesmo. Tipo menos que um metro e
meio.
Então
você já imagina o tipo de piada que faziam no meu antigo colégio. Salva vida de
aquários. Árbitro de futebol de botão, ou coisas como “Você é tão pequena que
senta no meio-fio e balança as perninhas.” ou similares. Na minha infância
implicavam também com meus cabelos ruivos, mas na adolescência começaram a
elogiar.
Não
vou dizer que eu tinha uma grande vida social em Niterói. Na verdade minha
“vida social” sempre foi na internet. Não é com amigos que estou preocupada, e
sim com minha situação escolar. Estou no terceiro ano do Ensino Médio e não
quero atrasar nem um ano.
Só
vejo vacas na estrada. Tem vacas por todos os lados. Vou dar nomes as vacas.
Aquela ali é Sandy, aquela ali é Shirley, aquela ali é Katrina, aquela ali é
Tamara. É legal dar nome as vacas. Eu tenho uma mania de dar nome a tudo, mas
não é bem um dos meus robbes principais, é só uma espécie de toc mesmo.
Estamos
a quase doze horas na estrada e finalmente temos sinal de termos chegado na cidade. Pegamos a entrada e
então podemos ver várias casas e alguns prédios em construção. Passamos pelo
aeoroporto e pela rodoviária. Passamos pelo shopping e logo avistamos o
Hospital de Pesquisa e Reabilitação de Anomalias Crânio-Faciais da USP.
Estou
vendo a casa. Estacionamos em frente a ela. Não é enorme, mas também não é
pequena. É mais ou menos a medida certa de uma casa para uma família de classe
média alta com uma filha adolescente. Saio do carro e vou tirar as minhas malas
para entrar na casa.
Olho
o entorno. Todas as casas são mais ou menos parecidas. Um garoto se aproxima da
gente. Ai meu Deus, ele é um fofo. Estou corada. Estou corada. Respiro fundo,
pego a mochila e subo com o computador, ditando no headphone para que o
computador digite, indo até o quarto que é o meu, que é o menor dos quartos, apesar
de também ser suite.
Me
sento encostada em algum lugar da parede e volto a escrever. O rosto do garoto
vizinho vem a minha mente, e minhas faces ficam rubras novamente. Respiro fundo
e volto a escrever.
-
Nathalie. Sai desse computador e venha nos ajudar com as coisas.
Escuto
minha mãe gritar. Tenho que ir. Volto amanhã, pois já vou publicar isso que eu
escrevi. Amo vocês.