sábado, 10 de maio de 2014

Chegada

             Está bem que eu sempre amei Baurú, mas uma mudança no meio do último ano letivo não é uma idéia muito racional. Meu nome é Nathalie Smith, nasci em Niterói e sou filha de uma brasileira com um inglês e… sou nerd.
            Vivi a minha vida inteira mudando de cidade, mas sempre dentro do mesmo estado, nunca fora dele. Não vou dizer que o meu sonho nunca foi sair desse maldito estado, mas nunca em pleno mês de Maio. Graças a Deus existe 3G, para eu poder digitar isso do carro e enviar assim que eu terminar.
            Estamos no meio da estrada. Ser filha única ás vezes é muito bom, já que não tem nenhum irmão enchendo o meu saco com beliscões. Ah.. sou baixinha, muito baixinha. E quando eu digo muito eu quero dizer muito mesmo. Tipo menos que um metro e meio.
            Então você já imagina o tipo de piada que faziam no meu antigo colégio. Salva vida de aquários. Árbitro de futebol de botão, ou coisas como “Você é tão pequena que senta no meio-fio e balança as perninhas.” ou similares. Na minha infância implicavam também com meus cabelos ruivos, mas na adolescência começaram a elogiar.
            Não vou dizer que eu tinha uma grande vida social em Niterói. Na verdade minha “vida social” sempre foi na internet. Não é com amigos que estou preocupada, e sim com minha situação escolar. Estou no terceiro ano do Ensino Médio e não quero atrasar nem um ano.
            Só vejo vacas na estrada. Tem vacas por todos os lados. Vou dar nomes as vacas. Aquela ali é Sandy, aquela ali é Shirley, aquela ali é Katrina, aquela ali é Tamara. É legal dar nome as vacas. Eu tenho uma mania de dar nome a tudo, mas não é bem um dos meus robbes principais, é só uma espécie de toc mesmo.
            Estamos a quase doze horas na estrada e finalmente  temos sinal de termos chegado na cidade. Pegamos a entrada e então podemos ver várias casas e alguns prédios em construção. Passamos pelo aeoroporto e pela rodoviária. Passamos pelo shopping e logo avistamos o Hospital de Pesquisa e Reabilitação de Anomalias Crânio-Faciais da USP.
            Estou vendo a casa. Estacionamos em frente a ela. Não é enorme, mas também não é pequena. É mais ou menos a medida certa de uma casa para uma família de classe média alta com uma filha adolescente. Saio do carro e vou tirar as minhas malas para entrar na casa.
            Olho o entorno. Todas as casas são mais ou menos parecidas. Um garoto se aproxima da gente. Ai meu Deus, ele é um fofo. Estou corada. Estou corada. Respiro fundo, pego a mochila e subo com o computador, ditando no headphone para que o computador digite, indo até o quarto que é o meu, que é o menor dos quartos, apesar de também ser suite.
            Me sento encostada em algum lugar da parede e volto a escrever. O rosto do garoto vizinho vem a minha mente, e minhas faces ficam rubras novamente. Respiro fundo e volto a escrever.
            - Nathalie. Sai desse computador e venha nos ajudar com as coisas.

            Escuto minha mãe gritar. Tenho que ir. Volto amanhã, pois já vou publicar isso que eu escrevi. Amo vocês.